segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O que ocorreria se houvesse um acidente nuclear nas usinas de Angra?


Se houver suspeita de vazamento radioativo, entra em ação um plano para diminuir os efeitos do possível acidente. Para determinar o alcance das medidas de emergência, a área ao redor das usinas foi dividida em zonas de segurança, que levam em conta a distância do reator de Angra 1. Se o acidente for confirmado, ocorrem dois procedimentos principais. Em um raio de até 5 quilômetros em torno da usina, a população é totalmente retirada. Depois, na região entre 5 e 15 quilômetros, as pessoas devem permanecer em casa, vedando portas e janelas para evitar a radiação mais aguda.


A delimitação dessas zonas é a primeira fonte de discórdia entre os defensores da energia nuclear e os ambientalistas (confira outras polêmicas no infográfico).
Para a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), não há risco de contaminação depois da linha dos 15 quilômetros. "Estudos realizados nos Estados Unidos depois do acidente na usina de Three Mile Island, em 1979, mostraram que o risco de exposição a radiações severas situa-se no raio de 5 quilômetros ao redor de um reator a água pressurizada, como os de Angra 1 e 2. Ou seja, não dá para fazer qualquer comparação com o reator que provocou o acidente de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986", diz o físico Raul dos Santos, da CNEN. Na opinião dos críticos, a área coberta pelo plano de emergência é pequena. "Há outras pesquisas que indicam efeitos sérios da radiação num raio de 30 quilômetros em torno de Three Mile Island e 450 quilômetros em Chernobyl.


O plano de Angra deveria contemplar um raio de pelo menos 90 quilômetros", afirma o ambientalista Sérgio Dialetachi, do Greenpeace Brasil. Num ponto, os dois lados concordam: a possibilidade de acidente é mínima. Os reatores contam com blindagens radiobiológicas, paredes de concreto e aço, além de sensores e circuitos de proteção capazes de desligar a usina se surgirem características anormais. "Mas esses sistemas podem não funcionar e, se houver falha humana, o risco de um desastre aumenta", diz Sérgio.


(Texto de Rodrigo Ratier - Editora Abril)

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